Morro da Providência 2

17/07/2009

cimento social

O estigma de morar em uma lugar feio que acompanha muitos dos moradorores das comunidades carentes do Rio, pode ser quebrado com um projeto que teve início nesta sexta-feira com a entrega de três casas à três mães que perderam os filhos barbaramente, no caso do Morro da Providência, Centro do Rio, ano passado.

O “Cimento Social” de autoria do Senador Marcelo Crivella tem o objetivo de contruir ou mesmo reformar completamente as casas da comunidade.

– O projeto prevê três casos: o que as casas que podem ser reformadas, as que tiveram de ser derrubadas e essas que estão sendo entregues que foram erguidas do chão – explicou o senador.

As primeiras casas foram entregues nesta sexta e foram erguidas em apenas 3 dias. De acordo com o senador, os trabalhadores que ergueram as construções tem idade entre 16 e 30 anos. Os homens foram divididos em três equipes que disputaram para ver qual dos grupos terminava primeiro.

O responsável pelo empreendimento, Wander Dantas, diz que todos os 102 funcionários empregados no “Cimento Social” são da comunidade da Providência.

­ – É muito gratificante para mim, quando cheguei aqui no morro, vi muitos homens desempregados, ex-presidiários e ligados ao tráfico de drogas. O projeto mudou a vida deles. Na próxima entrega do “Cimento Social” nós prometemos erguer as casas em apenas 2 dias – garantiu Dantas.

O conjunto com as três casas foi batizado pelo senador de “Vila José de Alencar e Dona Marisa” em homenagem ao vice-presidente da república, José de Alencar e a primeira-dama, Marisa Letícia.

As residências são funcionais, de segundo andar e três cômodos. De acordo com o coordenador do projeto, até oito pessoas podem morar em uma casa do “Cimento Social”. O senador Marcelo Crivella defende que tudo o que um projeto como o do Morro da Providência necessita, está no Brasil.

- Não precisa trazer chinês, japonês e nem americano é só dar oportunidade para a rapaziada, como dizia aquela música “eu acredito é na rapaziada…” Tudo o que nós precisamos, o Brasil tem. A paz é fruto da justiça e o povo do Morro da Providência merece justiça.

Nova chance

Um dos operários Alexandro de Medeiros, de 23 anos, estava exultante com o resultado conseguido pelas equipes do “Cimento Social”. Alexandro contou que além de ex-presidiário, também foi soldado do tráfico na própria comunidade.

- Eu estava desempregado porque fui preso, acertei minhas contas com a justiça, mas antes daqui, já estava novamente na boca de fumo. Foi quando me chamaram para trabalhar.

Embora não compense a dor da perda de um filho, as casas entregues tiveram um destino especial: as beneficiadas foram as mães dos três rapazes mortos ano passado ao serem sequestrados e levados por militares do exército a traficantes de uma facção rival do morro da Mineira, no Catumbi.

Os rapazes Deivão Wilson, Marcos Paulo da Silva,e Wellington Gonzaga Costa foram sequestrados pelos militares quando voltavam de uma baile funk no morro da Mangueira.

Ainda segundo Marcelo Crivella, o projeto deve se estender por todo o Morro da Providência.

Fonte: JB Online, Camilla Lopes


Morro da Providência

17/07/2009

Casa nova vira realidade no Morro da Providência

Três famílias recebem hoje imóveis através do projeto Cimento Social. Unidade-modelo, construída há dois meses, mudou a vida de uma moradora da comunidade

Rio – A casa de Cisleia Bento, 44 anos, estava com os dias contados no Morro da Providência. O telhado ameaçava desabar e as paredes descascadas e rachadas pareciam anunciar uma tragédia. Para alegria da moradora, por incrível que pareça, o barraco veio abaixo há quase dois meses. É que operários abriram espaço para erguer para ela a casa-modelo de dois pavimentos do projeto Cimento Social. “Não tinha condições de arrumar a casa antiga. Agora está tudo no lugar”, vibra Cisleia, que, além da moradia, recebeu toda a mobília e roupas de cama, mesa e banho. Hoje, mais três casas serão entregues na comunidade.

Confira o antes e o depois. Fotos: Reprodução e Paulo Alvadia / Agência O DIA

A casa antiga de Cisleia estava cheia de goteiras e representava um risco para os três filhos e dois netos. “A gente dormia na sala. Hoje tenho o meu quarto”, festeja o filho Diego, 20 anos, que guardava as roupas em parte do armário da mãe. Agora, ele tem o próprio armário.

A casa serviu como modelo para as obras do Cimento Social. Das 7h de segunda-feira até quarta-feira à noite, operários ergueram três casas no mesmo padrão, com 60 m², dois quartos (com possibilidade para se transformarem em três), sala, banheiro, cozinha moderna e área de serviço.

O engenheiro Fernando Meira, que comanda o canteiro de obras, explica que cada unidade custa R$ 50 mil, o que inclui desde a mobília ao jardim. A construção de casa é a última alternativa. O projeto já reformou 55 unidades.

Com isso, a Providência ganhou novo aspecto. Na parte baixa, estão as unidades pintadas de palha. No meio, as de verde. Na superior, onde a reforma ainda ganha terreno, o salmão tomará conta.

O projeto estava parado desde o ano passado, depois da saída do Exército do morro. O senador Marcelo Crivella, que levou a ideia ao presidente Lula, retomou as obras com recursos da venda de seus CDs cantando hinos gospel. A expectativa é que, com a construção das unidades, o Ministério das Cidades volte a adotar o Cimento Social.

É uma possibilidade de vida nova para moradores como Sérgio dos Santos, 46 anos, há 28 na Providência. Ele estava desempregado há 8 meses. “Tenho um casal de filhos e preciso comprar fralda, leite e remédio. Eu perdia o sono”, conta ele, que trabalha nas obras e voltou a ter conta bancária.

Até as mulheres põem a mão na massa. Depois de perder emprego como fiscal de van, há dois meses, Verônica Santos, 27, passou a trabalhar como servente no Cimento Social: “Espero que o projeto chegue logo até a minha casa, que precisa de pintura. Mas já fico feliz em ver a melhora dos vizinhos”.

Imóveis erguidos em três dias e com nova tecnologia

As casas que serão entregues hoje, com a presença do senador Crivella, foram construídas em três dias com a tecnologia de encaixe de placas de argamassa. Mas os operários do Cimento Social que pegaram no pesado têm desafio maior pela frente. “Temos material para erguer outra casa. Tentaremos construí-la em apenas dois dias. Queremos bater nosso recorde!”, conta o engenheiro Fernando Meira, responsável pelas obras.

A técnica está sendo aperfeiçoada. As placas pré-fabricadas são montadas em guias fixadas nas fundações. Em 72 horas, a moradia fica pronta. “O quarto dia pode ser usado para pôr a mobília, arrumar o jardim e dar os últimos retoques”, explica Fernando.

Tanta agilidade surpreende. “Passei semana passada aqui e não tinha nada. É maravilhoso ver as casas prontas e os trabalhadores com dinheiro no bolso”, festeja Eugênia Mendes, 64, ansiosa pela reformas da casa, na Rua da Bica:

“Lá nem tem água, apesar do nome.”


Projeto Cimento Social – Prova que é possível

17/07/2009