CHAVES PARA UMA NOVA VIDA

Famílias dos 3 jovens mortos durante ocupação do Exército na Providência ganham casas do projeto Cimento Social

Rio – As três primeiras casas construídas na retomada do projeto Cimento Social foram entregues ontem às mães que perderam os filhos na ocupação do Exército ano passado, no Morro da Providência. O senador Marcelo Crivella (PRB), que lançou o projeto, entregou as chaves e uma Bíblia na entrada da área batizada de Vila Senador Zé Alencar e Dona Mariza, homenagem ao vice-presidente da República e sua mulher.

Foto: Fábio Gonçalves / Agência O DIA

As três famílias receberam as casas com móveis e jardim ontem. A construção foi concluída em apenas três dias, de segunda a quarta-feira

A cerimônia contou com a presença de mais de 200 pessoas, entre os quais cerca de 100 operários contratados na comunidade. As unidades foram construídas no tempo recorde de três dias. Os operários começaram a montar as placas pré-fabricadas segunda-feira às 7h sobre as fundações. As três moradias ficaram prontas quarta à noite, mas retoques, decoração e jardinagem se estenderam até quinta-feira.

“Fazer casa popular tem de ser nesse padrão, pois é possível construí-las em três dias”, comemorou o senador. Três equipes ergueram as casas no período, divididas em cores. A Azul terminou em primeiro lugar.

SONHO REALIZADO

Os três jovens do Morro da Providência haviam sido detidos durante revista de soldados que ocupavam o morro.

Depois de desentendimento, foram entregues a traficantes do Morro da Mineira.

Os corpos de David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19, e Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17, foram encontrados num lixão em Duque de Caxias.

A primeira a ganhar a casa foi a dona de casa Lilian Gonzaga da Costa, 43, mãe de Wellington. “Já rezei muito por justiça. Queria poder entrar na casa com meu menino. Mas Deus quis assim.

Tenho mais filhos e netos e tenho de continuar a lutar”, disse ela, que usava uma camisa com a foto de Wellington. Ao entrar na casa, emocionou-se. “É um grande sonho”.

Maria de Fátima Barbosa, 49, lembrou do filho Marcos Paulo ao entrar na casa dúplex de dois quartos, sala, cozinha, banheiro e jardins. “Ele deve estar muito feliz no céu. Estou muito feliz. Nunca pensei que pudesse ter uma cozinha assim. A primeira coisa que vou preparar é uma lasanha. Me aguardem”, prometeu.

55 imóveis já foram reformados

A pensionista Benedita Florêncio Monteiro, avó de David, estava aliviada com a nova casa. “Dia desses um pedaço de reboco caiu na cozinha.

Se alguém estivesse ali teria se ferido gravemente”, afirmou ela, que mora com duas netas e uma sobrinha. Benedita planeja se mudar ainda hoje do barraco no alto do morro.

Foi lá que ela criou David desde os 2 anos.

Na retomada do Cimento Social, quase cem jovens da comunidade conseguiram emprego. Até o momento, os operários reformaram 55 casas e construíram outras quatro. A meta é recuperar as quase 800 unidades no lado oposto ao da Central do Brasil.

Um estudo deve ser concluído em um mês para tornar subterrânea toda a rede de energia na favela.

EQUIPES DE OPERÁRIOS

PARTICIPARAM DE COMPETIÇÃO

As casas foram construídas em três dias por três equipes subdivididas em 30 homens. Cada uma delas recebeu uma cor: Azul, Verde e Vermelha. A equipe Azul terminou a ‘disputa’ em primeiro lugar.

Haverá um churrasco entre os operários para comemorar o resultado.

A casa entregue ontem no Morro da Providência tem 60 m² em dois pavimentos.

Os dois quartos (que podem virar três) ficam no andar superior.

No primeiro pavimento ficam a sala, cozinha, banheiro e área de serviço.

O custo da obra, com mobília incluída e jardim, é de R$ 50 mil.

O senador Marcelo Crivella prometeu continuar com as obras. Dez casas começam a ganhar reforma na parte mais alta do morro.

Há ainda a previsão de mais uma residência.

“Vamos montar essa casa em dois dias. Vamos bater o nosso recorde!”, prometeu o senador.”

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