Amigos do Crivella

Transcrição da entrevista de Marcelo Crivella à Folha e ao UOL

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(clique na imagem para assistir aos vídeos)

Marcelo Crivella – 7/3/2011
 

Narração de abertura: Marcelo Bezerra Crivella tem 54 anos. É ministro da Pesca e Aquicultura do governo Dilma desde março de 2012.

Marcelo Crivella afastou-se do cargo de senador para assumir o Ministério. Foi eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2002. Em 2010 foi reeleito.

No Congresso tornou-se notório integrante da bancada religiosa. Filiado ao PRB, Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Seu partido tem vínculos também com a TV Record.

Folha/UOL: Olá internauta. Bem-vindo a mais um “Poder e Política Entrevista”.

Este programa é uma realização do jornal Folha de São Paulo, do portal UOL e da Folha.com. A gravação é sempre realizada aqui no estúdio do Grupo Folha em Brasília.

O entrevistado desta edição é o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella. Este é um programa diferente porque Crivella foi entrevistado na sede do Ministério, aqui em Brasília, pelos repórteres Márcio Neves e Fábio Brandt.

Fernando Rodrigues: Crivella revelou a intenção de criar uma empresa brasileira do setor da Pesca. Segundo ele não seria uma estatal, mas teria o porte de gigantes nacionais de outros setores, como Petrobrás e Embraer. Tudo, com muito financiamento de dinheiro público. Na entrevista, ele detalhou a proposta.

Marcelo Crivella: Não estamos descuidando da indústria da pesca, da indústria naval, da construção dos barcos, da industrialização do pescado. Tudo isso é muito importante. Acho que o Brasil precisa ter uma campeã no setor. A gente tem, por exemplo, óleo, então a gente tem a Petrobras. A gente tem minério de ferro, então a gente tem a Vale. A gente tem o maior produtor de carne de boi do mundo. A gente tem também a JBS e outros. Também os maiores e melhores produtores de soja do mundo. Temos empresas campeãs. Temos uma empresa campeã até em alta tecnologia que é a Embraer, no setor de aviação. Na aquicultura eu acho que a gente vai precisar de uma empresa campeã. Agora, é preciso que essa campeã ela tenha na sua cadeia de produção um viés social, ela incorpore também o pequeno produtor.

Folha/UOL: A empresa seria estatal, pública?
Marcelo Crivella
: Eu não sei se ela seria. Ela poderia ter investimento estatal pelo BNDESPar. Quer dizer,  a gente tem as ações, o BNDES pode entrar comprando ações. Nós por exemplo fizemos na questão da nossa proteína branca, carne de porco,  carne de frango, a Sadia e a Perdigão, eles tiveram apoio do BNDES. Quer dizer, o governo investe comprando ações. Mas não no controle… Porque eu acho que a iniciativa privada, inclusive, faz melhor que o governo. Nesses casos. Mas o importante é que essa grande empresa, essa campeã possa na sua cadeia produtiva, incluir os pequenos também. Que eles possam, vamos dizer assim, ter produção de tilápia, outro de carpa, outro de pirarucu, e aí…

Folha/UOL:  A gerência disso não seria estatal?
Marcelo Crivella
: Não, a gerência não seria estatal, seria privada. Teria dinheiro público através do BNDES , da compra de ações, mas a empresa teria o gerenciamento privado. Mas que ela tivesse uma contrapartida social. Porque veja, por exemplo, nós falamos das águas públicas dos nossos reservatórios. Nós não queremos amanhã ter um outro movimento de reforma… vamos dizer assim, aquícola, porque concentramos a água na mão de poucas pessoas. Já tivemos esse problema no passado com a concentração terra, tivemos que ter a reforma agrária. Então vamos dividir essa terra, vamos dividir essa água. Pequenos produtores… Agora os pequenos produtores precisaram, talvez, fazer parte de uma grande cadeia de produção de uma campeã, de duas, três. Seja a campeã do camarão, a campeã da tilápia, a campeã do pirarucu, a campeã até do salmão. Nós importamos tanto salmão e poderíamos produzir esse salmão aqui.

Fernando Rodrigues: Além da empresa brasileira de pesca, o ministro Marcelo Crivella também disse que será necessária uma escola nacional para pescadores. Isso, segundo ele, contribuirá para a preservação de espécies de peixes.

Marcelo Crivella: Acho que para a gente não passar para a nossa geração futura uma vergonha  de dizer que nós acabamos com nossos recursos, quer dizer, exploramos ao máximo a sardinha, tem muito pouca sardinha no Brasil, em comparação ao passado, exploramos ao máximo o nosso camarão ou os outros pescados do mar, precisava aprender melhor a gerenciar os nossos estoques. Eu gostaria muito. Vou propor à presidenta, vou propor aos demais companheiros do meu ministério que a gente pensasse numa escola do mar. Eu acho que seria uma coisa muito boa. Que a gente formasse o pescador no nível básico, no nível intermediário e no nível superior.

Folha/UOL: Isso seria um serviço do governo?
Crivella: É. Eu acho que sim. E qual seria nossa missão? Pesquisa. Porque você tem saindo do papel a Embrapa. Ainda está no papel. Ainda não tem um desenvolvimento a Embrapa pesqueira não está ainda, por exemplo, com o desenvolvimento que ela tem na soja. Mas ela se atém mais a uma pesquisa comercial, voltada aos empresários. Que é importantíssima. Mas eu acho que a gente precisava ter um instituto do mar, de pesquisa para formar esses profissionais e também…

Folha/UOL: Isso atuaria fora dos grandes centros [a escola]?
Crivella
: Não, poderia ser esse instituto no Rio de Janeiro, mas formar nossos técnicos, nossos pesquisadores, para estudar cada espécie do nosso litoral, e são milhares, e verificar com é que nos podemos preservá-las. Como é que nós podemos fazer a pesca, mas sem haver uma sobreexplotação. Garantir que essas espécies terão no futuro a sua existência garantida.

Fernando Rodrigues: Crivella também falou sobre um tema polêmico: aborto. Em um trecho da entrevista ele reafirmou sua opinião contrária à flexibilização da lei do aborto no Brasil.

Folha/ UOL: Quando surgirem e é inevitável que vão surgir nos próximos anos temas como ampliação da legislação sobre aborto etc, o sr. continua se sentindo na obrigação de se posicionar, de adotar alguma postura pública?
Marcelo Crivella
: Eu acho que a minha postura pública, todos já conhecem. O Estado não tem uma política… Essa questão do aborto, a questão do casamento homossexual, não é uma política de Estado. Esse foi um compromisso que Dilma assumiu com a bancada evangélica na época da eleição. Portanto não é uma coisa que deva me preocupar. Agora, a minha posição pessoal todos conhecem. Eu sou pró vida e pró família. Essas são posições consolidadas ao longo da minha experiência, da minha vivência, da minha religiosidade também, mas são posições que eu não vou mudar.

Fernando Rodrigues: Como se vê na entrevista, o senador diz não abrir  mão de suas posições. Ele é um criacionista, acredita que o mundo foi criado por Deus. Para ilustrar o que pensa Crivella, a Folha e o UOL buscaram nos arquivos do Congresso um discurso do ministro da Pesca ainda como senador. Nessa sua fala, ele detalhou o que pensa sobre a origem da vida e questionou a teoria da evolução natural [aqui, íntegra do discurso].

Marcelo Crivella [no Senado]: Há 150 anos, um inglês naturalista, Charles Darwin, propôs uma teoria na qual haveria, segundo ele, a evolução de todos os seres vivos a partir de uma ameba e que as espécies iriam evoluir não só no seu gênero, mas também criar novas espécies. Ele falava também em uma transformação evolutiva de invertebrados para vertebrados.

Todas essas teorias, no mundo científico, foram debatidas nos últimos 150 anos. Não passam de teoria. (…) Se a teoria de Darwin fosse uma realidade, teria o consenso da comunidade científica como têm as leis de Newton ou as leis de Einstein, mais recentemente. (…) Ela também é uma lei que depende de as pessoas acreditarem no milagre, porque o surgimento da vida a partir de uma ameba traz o primeiro questionamento: E a ameba, surgiu de onde?

Ora, e se a doutrina do evolucionismo está correta, se um gênero se transforma em outro e a natureza assim evolui, por que não se encontrou até hoje um fóssil sequer em que seja metade anfíbio e metade ave, ou peixe? Ou um fóssil sequer que traga características de metade homem, metade macaco?

Na entrevista à Folha e ao UOL, Crivella criticou o PSD, partido fundado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e também criticou o Supremo Tribunal Federal.
Marcelo Crivella: O Supremo Tribunal Federal se preocupou com a mudança de partido dos parlamentares. Os parlamentares assumiam o mandato e mudavam de partido. Tudo bem. Eles então inventaram uma tese, que seria o seguinte: o mandato não pertence ao parlamentar, pertence ao partido. Se mudar de partido, perde o mandato. Isso é uma coisa altamente discutível. Onze pessoas, por mais que inteligentes, por mais nobres, por mais cultas que sejam, dificilmente vão encontrar uma fórmula correta. Até porque o juiz, ele é acostumado a olhar para trás. Ele quer saber como é que o crime foi cometido, como é que ocorreram as circunstâncias, se tem provas ou não. Ele é uma pessoa que olha para trás. A lei deve olhar para a frente. O político ele está olhando para a frente, para a eleição que ele vai disputar, para o país que ele vai construir. Então que o Legislativo tenha a sua natureza própria para se fazer a lei. Muito bem. Então inventaram a tese, pertence ao partido, criou-se então a resolução, a lei, fidelidade partidária. O que ocorreu na prática com isso? A maior revoada de políticos da história do Brasil. O partido do Kassab, que ele disse muito bem, não é de esquerda, nem de direita. É um partido de conveniência. As pessoas saíram dos seus partidos, para fundar um novo, porque a lei feita pelo Supremo não poderia impedir um direito constitucional, a liberdade constitucional de fundar um novo partido, e fundar um novo partido quebra então aquele princípio de fidelidade… E aí milhares de vereadores, prefeitos, deputados estaduais e até governadores, senadores e deputados federais saíram do partido. E mais: saíram para o PSD, que devia se chamar PDS, “Partido do Supremo”, porque foi inventado pelo Supremo. Eles agora estão livres para um ano antes da eleição escolherem o partido que melhor lhes possa abrigar para a sobrevivência eleitoral. Então nós tivemos uma revoada, como nunca tivemos antes, e teremos uma segunda. Mas por quê? Porque o Supremo resolveu legislar. É uma tragédia quando eles querem fazer leis. Não foram colocados ali para isso. Mas ocorre.

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