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Crivella aposta em modéstia na disputa pelo governo do Rio

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ValorEconomico

Imagem – acima – divulgada pelo PRB Nacional

“Priorizar pessoas é fundamental para que a política tenha respeitabilidade”.

Foto: José Pedro Monteiro

Pré-candidato governo do Rio de Janeiro pelo PRB, o atual ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella acredita na bandeira “do idealismo e da renúncia às vaidades pessoais” para atrair eleitores

É com uma massa de 23% de intenções de voto que o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivella, atual ministro da Pesca e Aquicultura, pretende lançar-se novamente ao desafio de disputar as eleições para o Palácio Guanabara, como candidato do PRB.

Fugindo das polêmicas sobre a bancada religiosa no Congresso Nacional e a crise de popularidade do governador Sérgio Cabral, Crivella disse, em entrevista exclusiva ao Brasil Econômico, preferir levantar a bandeira da “modéstia, do idealismo e da renúncia às vaidades pessoais” para atrair novos eleitores – especialmente os mais jovens. Para Crivella, o Rio vive, hoje, um melancólico “crepúsculo da vida pública”.

O caminho, diz o bispo-ministro, é “um choque” de serviços públicos: “As pessoas querem hospitais, escolas e segurança padrão Fifa”. No Ministério, da Pesca, que assumiu sem saber “prender a minhoca no anzol”, vê um grande futuro: “A produção de peixe será o novo pré-sal”.

Dizem que o senhor é candidato pela presidenta Dilma?

Estou sendo candidato a pedido do povo. As pesquisas mostram que eu tenho 23% das intenções de voto. Esse foi o chamamento. Nenhum homem público, num momento de convulsão da vida pública do meu estado, pode se negar a esse chamado.

Por que você quer ser candidato ao governo do Estado do Rio?

Quero ser candidato, aliás, já quis antes, porque o Rio de Janeiro tem um espaço importante para construirmos o que eu diria ser um espírito de governo. A civilização fluminense não tem sido bem representada nos seus ideais e nas suas tradições e na sua maneira de fazer política. A política no Rio de Janeiro se limita hoje a leis e obras. Mas o que dá destino a um povo é mais que isso, é o espírito de governo. A política no Rio de Janeiro já foi mais idealista. Os políticos tinham mais renúncia, mais espírito público. Vivemos uma época em que a política não tinha escândalos, mas tinha idealismo, tinha doutrina e inspirava pessoas. E as pessoas naquele momento se orgulhavam dos seus políticos. O Rio de Janeiro vive, nesse momento, um melancólico crepúsculo da vida pública, porque os escândalos acabam se sucedendo e trazem desalento.

A que escândalos se refere?

Acho que é hora de tirar o marketing e colocar a gestão. Cabe à minha geração de políticos voltar à vida simples e à vida modesta, se devotar à solução dos graves problemas. No Rio, são 16 milhões bradando por saúde, segurança e educação. Precisamos encontrar nossos caminhos. Não podemos viver nessa situação, em que as pessoas não acreditam na política.

A bancada evangélica costuma ser considerada preconceituosa, mas, por outro lado, também sofre preconceito. Essa situação já melhorou?

É no debate, democraticamente, que vemos quais são os melhores caminhos. Cada um tem a sua posição e ganha a maioria. Cabe à minoria respeitar. Mas é preciso separar política de religião, e o Estado da Igreja, com respeito a todos.

Não é justamente a bancada evangélica que faz questão de misturar a religião com a política e levar os argumentos religiosos para a política?

Acho que a defesa pela vida e pela liberdade religiosa é um argumento político. Pelo que sei, a bancada religiosa defende a família, a vida e a liberdade religiosa não só para os evangélicos, mas para católicos, espíritas, muçulmanos, budistas, hindus. É um argumento político e não sectário. É a defesa do ideal de um bem comum para todos. Claro que isso tudo sujeito a voto. E o voto é a expressão da maioria.

Você fez uma crítica indireta à política…

Está na hora de dar uma página virada à política.

O que você mudaria? Qual seria sua prioridade à frente do Governo do Rio de Janeiro?

O Rio precisa fazer um choque de serviços públicos. Precisamos fazer com que o Estado ofereça a seus cidadãos uma qualidade de serviços públicos à altura do nosso desenvolvimento econômico e social. Uma segurança e uma educação não aquém dos investimentos feitos na indústria de transformação, petróleo e gás, na Copa do Mundo e nas Olimpíadas. As pessoas querem hospitais, escolas e segurança padrão Fifa. O que dá sentido a um povo é o espírito de governo, de servir, de estar preocupado com as pessoas, mais do que com as obras. Priorizar pessoas é fundamental para que a política tenha respeitabilidade.

O eleitor entende as alianças políticas entre governo federal, estadual e partidos?

Ele sabe que a conjuntura política exige disputa e debate. Mas o eleitor do Rio de Janeiro deve se lembrar que essa construção da aliança entre estado e governo federal passou pelo Crivella. É bom lembrar que, quando senador, Sérgio Cabral era de oposição. Ele votava radicalmente contra o Lula e não esporadicamente. Até que veio a disputa para a eleição no Rio, com o apoio de Anthony Garotinho. Se Cabral se elegeu, deve muito ao apoio de Garotinho à época. Mas essa não foi uma vitória de primeiro turno, foi uma eleição de segundo turno. Quando Cabral veio buscar o meu apoio, eu o condicionei a uma aliança com Lula. A primeira vez que o governador foi ao Palácio (Alvorada), quem levou fui eu. E foi exatamente com o meu apoio que essa aliança se deu. Tivemos aqui muitos governos de oposição e o Rio de Janeiro foi se esvaziando. Tenho consciência desse meu papel para o povo do Rio, em efetivar essa aliança. Mas nunca a condicionei a nada, a um cargo sequer. Pedi pensando no povo.

Com quem há espaço para conversar sobre alianças?

Com todos. Tive conversas com o PSDB, o DEM e outros partidos com os quais tinha afinidade e que tivessem afinidades com o presidente Lula e a presidenta Dilma. Sou um candidato que precisa de apoio. Mas, pelo meu espírito conciliador, viso a uma união em prol de propostas e projetos de interesses públicos, e não dos meus interesses.

Mas o sr. já está pedindo apoio, antes das eleições?

O apoio não precisa ser no primeiro turno, pode ser no segundo. Mas na política não se pode deixar para a última hora.

Como o sr. vê as prisões recentes do mensalão?

Como ministro, não posso comentar decisões da Justiça. Mas, pessoalmente, vejo com imensa tristeza as denúncias, o financiamento milionário de campanhas. E isso acaba trazendo desalento para a dona de casa. Os políticos precisam sair da ribalta, da frente do palco. É preciso voltar à modéstia, ao desapego, à renúncia e ao idealismo. Não cabe à nossa geração ter esse espírito fanfarrão. O Rio, na calamidade da saúde e da segurança, quer um gestor devotado à causa pública.

Há um evidente desgaste da imagem do governador Sérgio Cabral no Rio de Janeiro…

Da política em geral …

Você acha que esse desgaste na imagem do governador vai ajudar os adversários e prejudicar o Pezão, vice-governador e précandidato do PMDB à eleição estadual?

O PMDB cumpriu um ciclo. O desgaste, seja de A ou de B, é por conta da longevidade no poder. O político precisa saber a hora das novas lideranças. Sobretudo os políticos de ribalta. Esses que vivem mais no foco, acabam se desgastando mais. Tenho a impressão de que esse ciclo vai ser substituído. Acho que o povo fluminense está mais conservador, devido às manifestações que nos assustaram a todos, ao índice de violência, à falta de serviços públicos em saúde e educação. E isso vai ser decisivo no silêncio das urnas.

Falando do Ministério da Pesca, o sr. já entendia de peixe antes de chegar à pasta em fevereiro do ano passado?

Você quer saber se eu já tinha colocado a minhoca no anzol? Quando eu assumi o Ministério, a rádio Jovem Pan me perguntou se eu entendia de peixe e eu disse que não sabia colocar a minhoca no anzol. Isso virou manchete de vários jornais.. (risos). Mas o fato é que, quando cheguei no Ministério, tínhamos quatro parques aquíferos, dois implantados e dois dependendo de licença ambiental, numa pasta com custeio de R$ 100 milhões por ano. O BNDES diz que a produção de peixe em cultivo é o novo pré-sal do Brasil. E é mesmo. Bota aí 20 milhões de toneladas, que é a perspectiva que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura dá para 0,5% das águas da União. Logo, 20 milhões de toneladas são 20 bilhões de quilos; se colocarmos o preço do quilo a R$ 6, estamos falando de R$ 120 bilhões por ano, o que não é pouco, é um novo pré-sal.

Quantos parques aquíferos já foram licitados?

Na minha gestão, lancei dez parques no mar e mais cinco em água doce. Garanto a você que sob minha gestão já estamos implantando parques para produzir mais de 1 milhão de toneladas, só em águas da União. Se você me perguntar onde vamos crescer na agroindústria no Brasil, vou te dizer: no peixe. As demais áreas já estão saturadas. Sobretudo, se “consorciarmos”. Já imaginou se, antes de molhar o cultivo de arroz, trigo ou soja, pegarmos a mesma água e colocarmos em grandes reservatórios para cultivar peixe, onde o cocô e o xixi do animal vão melhorar a produção de grãos? Uma integração, esse é o nosso caminho.

Os parques aquíferos hoje já são pensados de forma integrada?

Não, os parques aquíferos são uma reforma aquária, onde é feito o loteamento das águas da União para a produção de peixe e a outorga é dada por 20 anos. O uso duplo da água para peixe e plantio é um segundo passo. Depois de consolidar os parques aquíferos, o passo seguinte é consorciar a produção de grãos com peixe. Aí o Brasil vai ser realmente um grande player para disputar mercado.

Mas qual é o estágio do projeto?

Estamos conversando com proprietários, fazendo estudos, verificando que capital vai financiar isso, se seria por meio do BNDES, fundos de pensão. Mas todos veem nesse programa uma perspectiva extraordinária.

Qual é o grande problema do nosso país que faz com que a população consuma pouco peixe?

Preço e comodidade. Para melhorar o preço, nós temos que aumentar a produção, e para isso, a presidenta Dilma tomou três medidas importantíssimas. O Plano Safra, com R$ 4 bilhões para financiar; a desoneração do peixe; e a descomplicação do licenciamento ambiental. Com essas três medidas, a produção de pescado vai aumentar muito. Não quero arriscar, mas acho que vamos encostar em 2 milhões de toneladas no ano. Nosso grande desafio é dar um caráter industrial à cadeia do pescado, como foi feito com o frango. É isso que está se fazendo nos parques aquíferos. Acabei de lançar um em Tocantins com 280 pequenos produtores que ganharam um hectare de lâmina d’água para colocar suas gaiolas e mais seis empresários que pagaram pelo uso da água e ganharam áreas para estabelecerem suas unidades de beneficiamento. Essa é a ideia, assim teremos filé de pescado em abundância no mercado.

Fonte: Brasil Econômico

 

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