Amigos do Crivella

Crivella tem menos política e mais compartilhamentos no Facebook entre candidatos do RJ

Deixe um comentário

Crivella_JE_6_7_14

Carina Bacelar – O Globo
Tamanho do texto A A A

RIO — Em 2010, a aposta de especialistas em marketing político era que, quatro anos depois, as redes seriam largamente usadas pelos candidatos para conquistar eleitores e apresentar propostas. No entanto, a três meses do primeiro turno da eleição, um levantamento feito pela empresa de estratégias digitais Paradox Zero a pedido do GLOBO mostra que o tipo de conteúdo mais popular na página do Facebook dos quatro principais candidatos ao governo tem pouco a ver com política.

O GLOBO ANALISA PERFIL DE CANDIDATOS DO RIO. LEIA MAIS

Marcelo Crivella, que publica quase exclusivamente mensagens religiosas e motivacionais, é o candidato que tem o conteúdo mais curtido e compartilhado. As postagens dele tem uma média de 22.908 compartilhamentos, 88,5 vezes a mais que o segundo lugar, Lindbergh Farias. Nas curtidas, Crivella também lidera: são, em média, 14.149 por publicação, quase dez vezes mais que Anthony Garotinho, com 1.427.

Dentre todas as publicações dos candidatos no período relativo ao levantamento, de 1º a 25 de junho, o post mais compartilhado passou longe da política: foi uma piada postada por Crivella, que mostrava a foto de um bebê na pia, com a legenda “se você vir a minha mãe no Facebook, por favor, lembra ela que eu ainda estou na pia”.

O índice de impacto, relação calculada entre o total de seguidores do candidato e o número médio de curtidas e compartilhamentos das postagens, também é maior para Crivella, com 2,5% para as curtidas e 4% para os compartilhamentos. O segundo colocado para os dois quesitos é Lindbergh, com 0,96% e 0,2%.

 

Afonso Albuquerque, professor da cadeira de Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta que o discurso que parece despolitizado, na verdade, é uma estratégia política recente diante do descontentamento da população com a classe política, notável nas manifestações que ocorrem desde o ano passado e em algumas páginas da internet.

— A tradição da direita, tanto a religiosa como de alguns setores conservadores, tem sido investir nesse discurso do senso comum, que tem uma certa moralidade. Eles difundem discursos cujo sentido é o de ancorar a figura deles em uma espécie de moralidade, mas ele não é despolitizado, e sim uma estratégia política.

De acordo com o pesquisador, nas redes sociais, a tendência é que cada candidato se dirija a seu público-alvo, deixando para a TV a função de conquistar um eleitorado mais amplo.

A pesquisa, que classificou de 1 a 5 os níveis de linguagem, interação, conotação política, integração multimídia, identidade visual e transparência, revela que, entre os candidatos, o que apresenta mais postagens com conteúdo político ou partidário é o petista Lindbergh Farias, o que condiz com o perfil do PT, de acordo com Afonso Albuquerque.

— O Lindbergh tem uma campanha diferente dos outros três candidatos, porque ali existe uma militância partidária — afirma o especialista.

Foram detectadas deficiências de todos os candidatos principalmente no quesito transparência, já que há poucas informações sobre a trajetória política, projetos e informações de contato nos perfis. Outro ponto onde ninguém foi avaliado com nota máxima foi a integração multimídia: a capacidade de dialogar, no Facebook, com outras redes sociais e também com aplicativos ligados ao candidato.

De acordo com a professora Luciana Salgado, professora de Gestão de Campanhas Políticas na Internet da Fundação Getúlio Vargas, as campanhas brasileiras nas redes ainda engatinham e não aproveitam o potencial de engajamento de alas jovens para promover ações como tuitaços, estratégia utilizada por Marina Silva em 2010 na campanha à Presidência. Os aplicativos para sugestão de ideias, utilizados por dois dos quatro candidatos, também foram considerados pouco criativos pela pesquisadora.

— Os aplicativos são mal feitos. Os candidatos precisam fazer aplicativos que prestem serviços, e não para falar da vida deles, como poderia ser feito em um site. Precisam ter ideias criativas com relação aos aplicativos de sugestões para que seja algo a mais que um simples envio de ideias — defende.

Luciana ressalva, entretanto, que a partir do início da campanha eleitoral, neste domingo, é possível que candidatos intensifiquem estratégias e turbinem suas respectivas redes. Ela acredita que os religiosos, inclusive, possam assumir um tom mais político em suas postagens.

— Estou vendo um grande “esquenta”: as pessoas estão fazendo ainda aquela receita de bolo. Estão ativando a presença online e usando as ferramentas que ainda tem que usar. O público do Crivella aderiu àquilo, gosta e compartilha conteúdos despolitizados. Mas a partir de agora, é campanha e política e tem que virar esse jogo. Não sabemos o que ele vai fazer.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s